Powerless – A DC arrisca e lança série de comédia

Sejam bem-vindos a Charm City, a cidade onde tudo vai acontecer na nova série ─ de comédia! ─ da DC, Powerless. Descrita pela própria DC como “Terra P”, Powerless existe no mesmo universo da Liga da Justiça, mas não espere uma aparição de heróis como Superman, Mulher Maravilha ou Batman tão cedo.

Numa entrevista para o site americano Coming Soon, o produtor Patrick Schumacker explicou o porquê dessa ausência de personagens tão famosos e amados com uma brilhante pergunta: “Queremos manter super-heróis como deuses no céu, melhores do que nós e com os quais não nos identificamos tanto?”. A pergunta é válida e se formos analisar a popularidade de heróis como o Batman na DC e o Homem de Ferro na Marvel, notamos que sim, está mais do que na hora de aproximar esses personagens a seus fãs, de humaniza-los cada vez mais.

Schumacker criou uma versão de Powerless com Ben Queen e essa versão chegou a ter seu piloto exibido na Comic Con em San Diego, mas foi bem modificada desde então. A maior mudança foi no trabalho dos personagens; antes funcionários de uma seguradora, agora trabalharão na Wayne Security e, portanto, o Alan Tudyk (ótimo ator com uma incrível veia cômica), virou o primo de Bruce Wayne.

“Ele admira o Bruce,” disse Tudyk. “Bruce é um playboy que vai para festas chiques. É isso que o Van quer: ser amado…Ele é um cara rico que quer ser paparicado. Ele só queria fazer nada e ficar no escritório onde ele estava. Agora que ele é um Wayne, tem o peso disso, tem o Batman e sua família. Quando ele fala de família, ele imediatamente se refere ao Batman. Ele quer ir pra Gotham, é onde ele quer subir na vida. Ele não quer fazer nada, ele só quer estar lá porque ele é um Wayne.”

Além disso, o novo piloto também conta com um novo personagem, Ron da TI, coincidentemente interpretado pelo ator de mesmo nome, Ron Funches.

“Eu estava trabalhando em outra series chamada ‘Undateable’, que foi cancelada. […] Eles só disseram ‘Você é muito engraçado. Gostamos de você na outra série. Veja esse piloto. Se você tiver alguma ideia sobre como você pode se encaixar nesse mundo, venha e fale com a gente.’ Na verdade, fiz um pitch do personagem. ‘Olha, sou ótimo em ser eu mesmo…em ser animado e alegre, e eu acho que as pessoas gostam disso.’ E eles falaram, ‘Nós gostamos disso! E não conseguimos pensar em outro nome, você é o Ron.’”

Ron será um personagem que conseguiu manter sua criança interior viva e que, ao contrário de Van, não está buscando grandes avanços na sua carreira nem quer se mudar para Gotham. Para ele, felicidade é poder trabalhar ao lado de seus amigos (awwnn). E, claro, como toda boa série, precisamos de um lado azedo para essa dupla, e quem vai garantir isso é o Danny Pudi (da série Community) com seu personagem Teddy, um programador cínico, bem diferente do fofo Ron.

Apesar de não agradar todos no piloto, Pudi garante que o motive de todo esse azedume vai ser revelado durante a primeira temporada. “Teddy é muito fiel a sua equipe. Ele é como um velho rabugento, só que ele não é velho ainda. Tem um episódio que podemos ver como é a família dele e então você entende porque ele é assim.”

Já a Jackie, interpretada por Christina Kirk, é a funcionária que teve o azar de virar a assistente pessoal do Van. Para ela, super-heróis são celebridades e conversar sobre eles é uma das coisas que mantém a empresa unida.

Porém, a personagem essencial da série é a Emily Locke, novata em Charm City, interpretada por ninguém menos ninguém mais que a ex-estrela de High School Musical, Vanessa Hudgens.

“Nenhum super-herói parava na sua cidade. Esse mundo de super-heróis e vilões é muito novo para ela. […] Ela é muito pra cima e otimista, e eu não acho que alguém pode mudar isso, porque ela realmente é assim. Ela acredita que pode mudar o mundo e quer motivar as pessoas a fazerem o mesmo.”

Proteger essa essência boa da Emily foi um dos motivos para a mudança de seguradora para Wayne Security. Fica difícil defender a bondade de alguém se essa pessoa passa o dia sacaneando quem precisa de um seguro, não é? Essa inocência será explorada, porém, em alguns momentos, como quando Emily acaba saindo com um capanga de um super-vilão, ou na narrativa que envolve a Raposa Escarlate, que apareceu nos quadrinhos pela primeira vez em 1989.

“Algo que é engraçado na nossa série é que temos esses heróis e vilões secundários. Você não verá o Batman lá,” disse Hudgens.

Schumacker ainda mencionou que pretende focar mais nos Guardiões Globais, uma equipe mais desconhecida da DC. O que todos enfatizaram muito é que a série não é só mais um jeito de explorar a história de personagens famosos, como Superman ou Lois Lane, por exemplo, e sim dar importância ao que acontece no escritório da Wayne Security.

Uma mistura de super-heróis com comédia de escritórios a lá The Office, Powerless pretende explorar o mundo dos quadrinhos e seus personagens mais aleatórios e, ao mesmo tempo, se aproximar do espectador e humanizar seus personagens, mostrando que em algum momento todos nós nos sentimos powerless (impotentes) perante alguma situação. Não sei o que vocês pensam, mas eu acho que definitivamente vale a pena assistir!

Por Silas Leskick // Fonte: ComingSoon